quinta-feira, 15 de agosto de 2013

ENTREVISTA - Julia Crouch, autora de Cuco, conta mais sobre seus livros!

É com muita alegria que anuncio a primeira entrevista exclusiva do blog! E para inaugurar essa nova fase do site, convidei a autora de suspense, Julia Crouch, que teve sua premiada obra, Cuco, lançada aqui no Brasil pela Editora Novo Conceito, para falar mais sobre seus livros, sobre sua carreira literária, e etc. Venha conferir!


Após graduar-se na Universidade de Bristol, Julia Crouch passou dez anos criando, dirigindo e escrevendo para o teatro. Ela é web designer e ilustradora, e produziu três livros ilustrados para crianças e muitas histórias para adultos. Mora em Brighton com seu marido, o ator Tim Crouch, e seus três filhos. Cuco é seu primeiro romance publicado no Brasil.


ENTREVISTA:

PJ: Uma pergunta básica, eu gostaria de saber quando e como você descobriu um talento com as palavras. Você recebeu algum incentivo?

JULIA CROUCH: Eu realmente só comecei a escrever cerca de sete anos atrás, quando o meu filho mais novo começou a escola em tempo integral. Eu sempre pensei que era mais sobre imagens do que palavras, e escrevi e ilustrei dois livros infantis para um mestrado de ilustração. No entanto, eu gostava de chegar com as palavras muito mais longe do que com as imagens. Eu então fiz alguns cursos on-line sobre escrita criativa e escrevi meus primeiros contos desde que deixei a escola.
Eu então procurei algo sobre a escrita de um romance, e tinha um para o Nanowrimo (www.nanowrimo.org) onde você escreve um romance em um mês. Cuckoo - ou Cuco - foi a minha segunda novela Nanowrimo - embora eu tenha trabalhado nele durante um ano inteiro, sem mostrar para ninguém antes, então depois ele dobrou de tamanho.

PJ: Ao escrever seus livros, você sabe de onde vem a sua inspiração?

JULIA CROUCH: Eu estou sempre procurando por sementes para começar as minhas histórias. Antes de começar, eu vou ter uma ideia de um personagem ou personagens, um lugar e uma situação. Em seguida, o resto vem enquanto eu escrevo. É um processo de descoberta, e eu acho realmente emocionante. Isso significa um monte de reescrita, porque no final, como se geralmente se trata de um início diferente do que escrevi, mas é um processo muito agradável. Fico muitas vezes surpreendida com o que meus personagens fazem ou dizem.
Eu sempre crio meus personagens e tenho fotos de atores em minha parede. Em Cuckoo, Rose eu vi como Kate Winslet e Polly foi Juliette Lewis. Então, se houver um filme, eles sabem quem chamar!

 

PJ: Percebi em sua escrita. Ela é muito completa e precisa. Você se considera uma pessoa muito observadora?

JULIA CROUCH: Eu sou muito observadora - gosto de sentar e assistir. Em francês, isso é chamado de ser um flâneur, e é minha coisa favorita a fazer. Eu, muitas vezes, sento-me com um caderno e anoto pensamentos sobre o que vejo, trechos de conversa, etc. Eu sou uma pessoa muito visual, e quando estou escrevendo, eu jogo cenas da minha cabeça, como filmes, ao descrevê-los totalmente quanto possível. Eu então edito tudo e deixo detalhes essenciais.
Mas também é uma coisa do ofício, que eu aprendi no meu curso de escrita criativa - para escrever com todos os sentidos - a cena é muito mais viva se você pode capturar o cheiro, sons, cores, bem como o que as pessoas estão dizendo e pensando nele.


PJ: O que você sente ao saber que milhares de pessoas de outros países tem acesso às suas histórias?

JULIA CROUCH: É um grande privilégio - eu gostaria de poder ler os idiomas para onde meus livros foram traduzidos! - É extraordinário que alguém no Brasil ou na China está provavelmente lendo minha história, passando dentro da minha cabeça neste exato momento! É claro, a habilidade do tradutor é muito importante para determinar o sucesso de um livro estrangeiro, e das reações que eu tive de leitores brasileiros, o meu tradutor Tiago Novaes fez um trabalho brilhante!

  

PJ: Você pretende visitar o Brasil?

JULIA CROUCH: Eu realmente espero que um dia faça uma breve visita. Eu nunca fui, mas meu marido sim - ele levou o seu trabalho para o teatro no Rio de Janeiro e ele diz que é um lugar bonito, emocionante e cheio de energia. Mas é um longo caminho...


PJ: Então, nós sabemos que a viagem de um escritor não é assim tão fácil, e como você tem muita experiência, o que você aconselha aos seus leitores que sonham em publicar um livro algum dia?

JULIA CROUCH: Você tem que escrever porque você gosta de escrever. Você tem que ter um hábito de escrita - escrever todos os dias, mesmo que seja pouco. 250 palavras por dia, em um ano fazem 89 mil palavras - uma boa novela de porte. Seja paciente, saiba que a sua escrita pode melhorar. Trabalhe em seu ofício. Leia muito e muito, leia sobre autores, leia livros sobre escrita. O livro de Stephen King, On Writing, é essencial! Fazer um curso, conhecer outros escritores, ir para leituras. Esteja preparado para ouvir críticas de pessoas qualificadas e levá-las à bordo.

PJ: Para fechar, você já está trabalhando em um novo livro? Se sim, gostaria de antecipar alguma coisa?

JULIA CROUCH: Eu tenho mais dois livros publicados no Reino Unido e na Europa: Every Vow You Break - Toda Promessa Que Você Quebrou, em tradução livre - e Tarnished - Manchada, em tradução livre. Eu acho que Every Vow You Break será lançado em breve no Brasil, enquanto meu quarto romance (sem título ainda) está saindo em inglês, em maio de 2014. Espero naturalmente que todos os meus livros encontrem seu caminho para o Brasil...


*** 

Então, gostaram da entrevista? Julia Crouch é uma autora que domina uma escrita muito instigante e sabe construir suspenses afiados que vão crescendo à medida que as páginas vão virando. Então leia Cuco, lançado aqui no Brasil pela Editora Novo Conceito!

Para mais informações, visite o site da autora clicando aqui ou acompanhe Julia Crouch em seu Twitter.

7 comentários:

  1. Que bacana! Parabéns pela entrevista, e que venham outras!

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    1. Obrigado! Logo, logo vou trazer outras entrevistas...

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  2. Eu confesso que não li Cuco, mas acho SHOW quando os autores, principalmente os estrangeiros, tiram um tempinho para responder essas entrevistas! <3 Achei atencioso da parte dela! <3

    E para esse gênero, tem que ser observadora mesmo! Ela tem cara de ser mt compenetrada!

    Parabéns pela entrevista!

    Beijos!
    Lygia - Brincando com Livros

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    1. Eu fiquei muito feliz quando ela aceitou o convite para a entrevista - e é a primeira que faço, ainda mais para uma autora estrangeira.
      Leia Cuco sim, porque é um livro muito bom e com um final bem interessante.
      Haha, sim. Por isso que fiz essa pergunta, rs.

      Obrigado pela visita!

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  3. adorei a entrevista Joshua.
    Não li cuco, mas fiquei boquiaberta ao descobrir que ele era um projeto do Nanowrimo. Tenho várias amigas que escrevem através desse projeto. Eu tmb sou muito visual, e acho que se um dia resolvesse escrever um livro, teria primeiro a imagem dos atores na minha cabeça hehehe
    bjs

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    1. Eu já escrevi usando o projeto Nanowrimo - e consegui, haha, apesar de ter engavetado a história - e quando descobri que a autora escreveu Cuco desse modo, fiquei muito mais interessado. Cuco é um suspense psicológico muito bom, e sabe, você devia ler o quanto antes, rs!

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  4. Ótima entrevista, Joshua! Gostei de Cuco, apesar de esperar algo completamente diferente (como provavelmente já comentei aqui), e por isso foi muito bacana conhecer um pouco mais da autora. Não conhecia o Nanowrimo, mas achei interessante a ideia. Vou procurar saber mais sobre isso.
    Aliás, o que mais gostei foi saber sobre a visita do marido dela ao Rio, afinal é sempre bom quando pessoas de fora têm uma boa impressão da nossa terra, e principalmente que o próximo livro pode estar chegando ao Brasil. Vou torcer.

    Parabéns pela entrevista, Joshua! Você mandou muito bem.

    Abraços.
    Ricardo - www.overshockblog.com.br

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